Azul da cor do Sertão

O evento só não é sem precedentes porque de fato houve um precedente. O ano era 1995. Havia uma última ararinha-azul solta na natureza, nas imediações do Riacho da Melancia, uma região da Caatinga a duas horas de carro de Juazeiro, na Bahia. Na falta de um parceiro da mesma espécie, a ave acabara se juntando a uma maracanã – um psitacídeo de tamanho e hábitos parecidos, porém muito mais numeroso na caatinga. Biólogos do Ibama elegeram então uma ararinha-azul de cativeiro, que vivia num aviário em Recife, para uma missão um tanto suicida. No dia 17 de março daquele ano, a ave, uma fêmea, seria solta, na esperança de que pareasse com o último animal selvagem, constituísse família e, quem sabe, repovoasse a Caatinga, qual Noé com sua arca. Em vão: três meses depois, a ararinha recém-liberta desapareceu – não se sabe se por obra de algum caçador, ou

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