Negro, sofredor, homofóbico: 30 minutos de conversa com o motorista do Uber

Foto: Surya Rajendran/EyeEm via Getty Images

Higienópolis, domingo, 16h. Entrei no Uber em direção a Congonhas. Voltava para o Recife. No volante, um rapaz alto, negro, usando gorro. Ouvia Racionais: “A primeira faz bum, a segunda faz tá/Eu tenho uma missão e não vou parar/Meu estilo é pesado e faz tremer o chão/Minha palavra vale um tiro, eu tenho muita munição”. 

Gosto da música e acho graça na coincidência: comprei o CD “Sobrevivendo no Inferno” em uma lojinha na Avenida Paulista no fim dos anos 90. Lá estava eu, tantos Brasis depois, me reencontrando com ele.

Joguei a mochila de lado e dei bom dia. O motorista não respondeu.

Seguimos. Ele dirige muito rápido, bruscamente, corta carros e reclama da lentidão à sua frente. Na Rua Jaguaribe, uma moça, também negra, vai cruzando a pista. Ele não diminui a velocidade,

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