A universidade, o jornalismo e os afetos políticos

Na mesa de abertura de um importante evento acadêmico de Comunicação e Política, ainda em 2019, uma seleção de intelectuais dessas áreas de conhecimento constatava, com certa decepção, a falência das ferramentas teóricas, metodológicas e analíticas para antecipar o quadro político desastroso que vinha se desenhando desde a substantiva queda de popularidade do governo Dilma, o golpe jurídico-parlamentar de 2016 e a reascensão do populismo de direita representada por Bolsonaro, seus empresários, pastores e militares — o que culminou, hoje sabemos, em uma crise sanitária sem precedentes.

Entre as mídias e jornalistas não se pode dizer que houve essa mesma honestidade intelectual. Os mesmos que, desde 2002, fizeram contra os governos do PT uma cruzada ética em nome de uma política livre da corrupção, hoje alegam “autonomia crítica” para lidar, de modo ironicamente discreto, com a completa incapacidade de governabilidade do Presidente da República e de seus gabinetes do

Continue lendo no Observatório da Imprensa.