Nos escandalizamos com a fome, mas sabotamos as possíveis soluções

Foto: Marco Antonio Rezende/Brazil Photos/LightRocket via Getty Images

O Brasil é aquele país que tem horror à fome, à ideia da fome, à possibilidade da fome. Não suporta pensar na sua proximidade: sabe que ela devasta o corpo, a dignidade, a vida. Mas o Brasil é também o país que está totalmente acostumado à sua presença, seja de forma real ou mediada: ela está no rapaz circulando perto dos carros e segurando um cartaz pedindo comida; na criança magra vista na matéria da revista; na campanha de arrecadação de alimento que mostra a família, de preferência nordestina, em frente a um casebre.

Os sentimentos circulam entre a revolta e uma desmobilizadora resignação: repetimos que aquilo precisa ser combatido, que é “uma vergonha”, que “o governo devia dar um jeito”, que “esse é o Brasil”. Todo esse horror geralmente tem um

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