A voz do povo: uma longa história de discriminações

Em uma antológica cena do cinema brasileiro, o jornalista Paulo tapa a boca do sindicalista Jerônimo. O gesto hostil ocorreu instantes após este último tomar a palavra para dirigir-se a um grupo reunido em uma rua de Alecrim, província da fictícia República de Eldorado. Esse ato de interdição, essa violência física foi acompanhada de outra de ordem simbólica, pois o operário ainda tem a sua origem, a sua cognição e o seu discernimento político depreciados: “O povo é um imbecil, um analfabeto, um despolitizado!”¹. O silenciamento e o desprezo das elites e dos que compartilham de sua ideologia pela fala de sujeitos das camadas populares não estão somente representados nas imagens em movimento da sétima arte, mas existem e se repetem em diversos lugares do mundo real, com particular constância e intensidade no Brasil. Também não são exclusivos do tempo presente, porque esses preconceitos têm uma longa história que remonta

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