O ano em que morremos demais

Na penúltima semana de abril, a funcionária pública Noemi da Silva, 48, recebeu a notícia de que uma colega de trabalho havia sido internada. Na época, Sandra Aparecida Pires de Souza se queixava de uma infecção urinária e já havia procurado tratamento em um hospital na cidade de São Paulo. “Ela dizia que a imunidade dela estava muito baixa”, lembra Noemi. As duas trabalhavam na parte administrativa do serviço funerário municipal na Vila Guilherme, Zona Norte da cidade. Dali a alguns meses, depois de quase trinta anos como servidora pública, Sandra conseguiria finalmente se aposentar. “Eu não acreditei quando disseram que ela estava internada com coronavírus”, conta Noemi. “Ela vivia falando que tinha medo de pegar essa doença e morrer. Todo mundo lá tinha medo também, a gente tinha contato direto com aqueles mortos.” Toda dia, a diretora da unidade onde Silva trabalha dava atualizações sobre o estado de Sandra

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