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Na mala, na cueca ou no bolso?

Entra ano, sai ano, os brasileiros se deparam com fotos e vídeos de grandes somas de dinheiro vivo apreendidos em cuecas, malas ou apartamentos de políticos ou seus operadores. O episódio mais recente foi em 10 de julho, quando a Operação Mercadores do Caos, que apura fraudes na compra de respiradores para tratar pacientes de Covid-19 no Rio de Janeiro, encontrou 8,5 milhões de reais com um dos investigados, cuja identidade não foi revelada. Dezoito anos antes, em 2002, agentes da Polícia Federal encontraram 3,9 milhões de reais, em valores atuais, em uma loja da família de Roseana Sarney. Pré-candidata a presidente nas eleições daquele ano, Roseana abandonou a disputa. Esta semana, o =igualdades relembra grandes apreensões de dinheiro vivo e mostra quantas maletas são necessárias para transportar cada quantia. Cada maleta carrega 900 mil reais em notas de 50 reais. Os valores foram corrigidos pela inflação do período.

 Em outubro do ano passado, João Nonato Fernandes, então prefeito da cidade paraibana de Uiraúna, pelo PSDB, foi filmado recebendo 25 mil reais de origem ilícita. A gravação fazia parte da Operação Pés de Barro, que investigava superfaturamentos de obras no sertão da Paraíba. “Na cueca, [porque] a camisa é curta”, disse o prefeito no vídeo, enquanto escondia a soma na roupa de baixo. O valor equivale a cinco maços de 50 reais , com cem notas cada.

Em fevereiro do ano passado, a Polícia Federal encontrou 225 mil reais, em valores atuais, no apartamento de Paulo Vieira, o Paulo Preto, operador do PSDB. O “esconderijo” já havia sido delatado – e noticiado – em 2017, no âmbito da Operação Lava-Jato. Segundo o delator, o local chegou a guardar uma quantia muito maior, na ordem das dezenas de milhões. A soma encontrada ocupa um quarto de maleta, ou 45 maços de cem onças-pintadas.

Em abril de 2018, o então deputado federal Rodrigo Rocha Loures (MDB-PR), assessor do presidente Michel Temer, foi filmado saindo de uma pizzaria de São Paulo com uma mala de rodinhas. Lá dentro, estavam 537 mil reais, em valores atuais, pagos como propina pelo empresário Joesley Batista, dono da JBS. A mala não estava cheia. O valor equivale a 108 maços de 50 reais, que enchem 60% de uma maleta.

Em julho de 2005, José Adalberto Vieira, assessor do então deputado José Guimarães (PT) foi pego no aeroporto de Congonhas, em São Paulo, com 209 mil reais em uma mala. Ao revistá-lo, os agentes da Polícia Federal encontraram mais 100 mil reais na cueca. Considerando o valor do dólar da época, a soma dava 446 mil reais. Em 2012, o Supremo Tribunal de Justiça decidiu que o deputado não tinha responsabilidade no caso. Em valores atuais, a apreensão chega a 960 mil reais. É suficiente para encher uma maleta, e ainda sobram doze maços de onças-pintadas.

Em meio à campanha eleitoral de 2006, intermediários do PT foram presos em um hotel de São Paulo. Ali, guardavam 3,5 milhões de reais, em valores atuais. Segundo as investigações, o dinheiro seria usado para comprar um dossiê contra o então candidato ao governo de São Paulo, José Serra (PSDB). O então presidente Luiz Inácio Lula da Silva, que concorria à reeleição, disse que o episódio foi obra de “um bando de aloprados”. Para carregar esse valor, seria preciso 3,9 maletas com notas de 50 reais.

No início de 2002, agentes da Polícia Federal apreenderam 1,3 milhão de reais na empresa de Jorge Murad, em São Luís (MA). Murad era marido de Roseana Sarney, pré-candidata a presidente do Brasil. A apreensão foi a pá de cal na candidatura de Roseana, que acabou desistindo. Em valores atuais, a soma dá 3,9 milhões de reais, suficiente para encher 4,3 maletas com notas de 50 reais.

 

Em 10 de julho deste ano, a Operação Mercadores do Caos, que apura fraudes na compra de respiradores no Rio de Janeiro, encontrou 7 milhões de reais em moeda nacional e o equivalente a 1,5 milhão de reais em moedas estrangeiras – dólares, euros e libras esterlinas. O dinheiro estava com um dos investigados, cuja identidade não foi revelada. Na mesma operação, foi preso o ex-secretário de Saúde do Rio de Janeiro, Edmar Santos, em cuja residência havia 5 mil reais. Em notas de 50 reais, o valor total de 8,5 milhões de reais pode ser transportado em 9,4 maletas.

Em setembro de 2017, a Polícia Federal encontrou 51 milhões de reais em caixas e malas em um apartamento em Salvador. É a maior apreensão de dinheiro vivo já feita no Brasil. O imóvel, apelidado de “bunker”, estava cedido a Geddel Vieira Lima (MDB), figura próxima do então presidente Michel Temer, de quem foi ministro. Em valores atuais, a soma equivale a 56 milhões de reais. Para transportar essa quantia, são necessárias 62,2 maletas.

 

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