Entre militares, milícias e cadáveres

A picape acelera pela sinuosa estrada de terra, cortando a densa mata tropical de Kivu, no Leste da República Democrática do Congo. Na caçamba da caminhonete à nossa frente, cinco soldados escoltam uma equipe escalada para um dos trabalhos mais perigosos do mundo: o enterro de vítimas do ebola numa zona de guerra congolesa. O comboio funerário avança selva adentro, acompanhado de caminhões abertos, lotados de parentes, amigos e conhecidos. Motocicletas montadas por rapazes em dupla, walkie-talkie em mãos, costuram a caravana, o que significa um alerta: já entramos em território Mai-Mai. Um grupo rebelde controla esta fração da região de Beni, epicentro do surto de ebola no Congo. Um dos pilotos faz um movimento brusco e fecha nosso jipe pela esquerda. O garupa se vira para trás e reproduz um gesto universal: com o olhar fixo na gente, usa a lâmina da mão para atravessar o próprio pescoço. Os

Continue lendo na Revista Piauí.