Decepção ambulante

Enquanto o presidente Jair Bolsonaro (sem partido) fazia um pronunciamento em rede nacional sobre a crise do coronavírus, na última terça-feira (23), Carlos Souza estava na cozinha. Fritava os salgados que levaria para tentar vender ainda naquela noite. O Rio de Janeiro já estava de quarentena, mas Souza precisava de dinheiro para o aluguel. A televisão da sala estava ligada, e Souza não estava prestando muita atenção – todas as suas opiniões já estavam consolidadas. Até ali, para ele, Bolsonaro era o cara de quem o Brasil precisava: um mito. O desencanto veio com o discurso do presidente. Souza ouviu quando o Bolsonaro falou do coronavírus como uma “gripezinha”. Sem dinheiro, sem esperança de venda, com a filha sem aulas e o comércio fechado, Souza ouviu, em casa e na rua, reclamações sobre o pronunciamento. Para a família, ficou claro que a postura do presidente não correspondia à gravidade da

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