O Paraíso Deve Ser Aqui – o que sobrará da mediocridade imposta?

Em um país como o Brasil, onde deboche e verborragia prevalecem, o humor cortês e lacônico de O Paraíso Deve Ser Aqui resulta desconcertante. Mordaz, sem deixar de ser delicado, o filme escrito, dirigido e protagonizado pelo palestino nascido em Nazaré, Elia Suleiman, satiriza a vida cotidiana de um cineasta homônimo. Inclui desde relações de vizinhança hostis até episódios em Paris e Nova York, cidades nas quais viveu durante 28 anos (catorze em cada uma delas) e que conhece bem, sendo familiarizado, nas suas palavras, “com o humor e ambiente” de ambas.

Observador atento do mundo à sua volta, o personagem principal permanece calado durante o transcorrer do filme, exceto na breve cena em que esclarece sua nacionalidade com quatro palavras (“Nazaré” e “Eu sou palestino”), causando, em um motorista de táxi nova-iorquino, reação de estupor equivalente a se admitisse ser extraterrestre. 

Ao estrear no Festival de Cannes do

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