13 de dezembro de 1968, redação do “Estadão”: começava a longa noite do AI-5

Era menino ainda, mal tinha completado 20 anos, e entrara no jornal no começo do ano anterior.

Mais jovem repórter de um dos maiores jornais do país, era aluno da USP e fazia a cobertura dos confrontos quase diários dos estudantes com a polícia.

No começo de outubro de 1968, uma dessas batalhas durou 12 horas e se espalhou pela cidade.

Jornalistas também eram presos e espancados. Quando eu tentava defender uma estudante, PMs atiçaram um cão pastor contra mim e levei uma mordida na perna.

Assim que cheguei ao jornal, formou-se uma rodinha à minha volta.

Até Júlio de Mesquita Neto, o dono do jornal, quis saber o que estava acontecendo.

“Por que esse menino foi se meter com a polícia?”, queria saber.

Acho que foi nessa cobertura que caiu a ficha. Até então, eu era o que se podia chamar de “jornalista alienado”, muito mais interessado em ver

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