Divino Amor – um Brasil distópico

Nunca esperei ver o recém-nascido Messias fazendo pipi. Fico devendo a Gabriel Mascaro esse privilégio, oferecido no plano final do seu filme Divino Amor – deitado na cama de casal, Cristo está pelado, de barriga para cima, em contraluz. Com o pinto à vista, Ele solta um jato forte de xixi para cima.

Obrigado, Mascaro. Agradeço em meu nome e no dos demais espectadores de Sundance, Berlim e agora dos cinemas pátrios, pela visão proporcionada desse evento transcendental. De certa maneira, a singeleza do plano compensa a brutal cena do parto, vista momentos antes, em que Joana (Dira Paes) dá à luz o Salvador, sem saber quem é o pai.

Na abertura de Divino Amor, corpos em silhueta dançam na rave de Cristo. Uma voz infantil, de gênero a princípio indefinido, começa dizendo em off que “Era 2027, o Brasil tinha mudado […]”.

Espectadores com boa memória haverão de

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