Jornalismo passivo, racismo naturalizado

Publicado originalmente pelo objETHOS.

Manifestantes se reuniram no domingo para pedir punição ao segurança.

No último dia 15, as cenas de um estrangulamento em um mercado do Rio de Janeiro chocaram o país, quando o segurança do estabelecimento imobilizou e matou um jovem negro. Imagens gravadas mostram clientes assistindo ao acontecimento e apelando para que o funcionário soltasse o rapaz. Nas gravações, ele é visto conversando com o vigilante, até ser subitamente derrubado e morto.

Ao analisar manchetes sobre o caso, a doutora em Linguística Jana Viscardi observa certa recorrência no apagamento do agente da ação, em títulos que iniciam com “jovem morto por segurança” (como em O Globo, Época, Extra e Diário do Centro do Mundo), por exemplo. Para Viscardi, como os verbos “matar” e “morrer” partilham do mesmo particípio na sua voz passiva (“é morto/está morto”), a ênfase do primeiro é suavizada. “Você não necessariamente vai entender que essa


Continue lendo no Observatório da Imprensa.