Ramon Brandão: a política como exercício estético

A política como exercício estético

Por Ramon Brandão

Ao longo do século 20 – sobretudo a partir da segunda metade – o conceito de “Revolução” foi perdendo o seu glamour. Aquilo que até então mobilizara multidões e acelerara milhares de corações numa ânsia avassaladora por transformação social se tornara teoria científica, programa partidário e procedimento burocrático (como no caso da URSS, com a estatização da “Revolução”).

Tal processo não poderia fazer emergir outra coisa senão o afastamento das pessoas. Tal como afirma o filósofo Michel Foucault, o esquema de “conversão” à revolução via adesão a um partido que, por sua vez, afirma-se revolucionário fracassou: “Sabemos hoje em dia, em nossa experiência cotidiana, que só nos convertemos à renúncia à revolução. Os grandes convertidos de hoje são os que não creem mais na revolução”.
Daí, afirma o filósofo, a importante tarefa do intelectual contemporâneo: “restituir à revolução todos os charmes que ela


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