Cinema político – o risco da obsolescência

A sensação de fracasso é particularmente dolorosa, em momentos graves como este, no qual um candidato recebeu 49 milhões de votos no primeiro turno, 18 milhões a mais do que o segundo colocado, e poderá vir a ser eleito presidente da República.

O mal-estar provém não apenas do candidato ser quem é – deputado federal tosco, grosseiro, autoritário, moralista, que aclama a tortura, aplaude a ditadura e ameaçou fuzilar adversários, aliado dos ruralistas e da bancada da bala –, como se semelhante perfil não bastasse, mas resulta também do fato de milhões de eleitores, representando 46% dos votos válidos, terem manifestado preferência pelo candidato com características inadequadas para o cargo que pretende ocupar.

Falhamos, em primeiro lugar, por omissão. Nosso cinema não mantém, de forma geral, interlocução efetiva com o público, o que leva à inexistência do elo vital que seria sua razão de ser. Além disso, os raros filmes

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