Dissecando um cadáver: a matéria falaciosa de Veja sobre o cárcere de Lula

Texto publicado originalmente pelo objETHOS. 

Costuma-se atribuir aos autores do Novo Jornalismo, a despeito de toda a excelência que obtêm no texto, certa inclinação a exagerar ou mesmo inventar fatos em prol de uma narrativa com viés literário. Usa-se e abusa-se de descrições pormenorizadas, personagens são trazidos à luz sem que tenham sido de fato entrevistados, como se fossem heróis ou anti-heróis criados a partir da mente criativa do autor ou a partir da fala subjetiva de terceiros. Detalhes aparentemente insignificantes — a cor da roupa e os trejeitos do protagonista, a ambientação dos cenários, a atmosfera reinante — são descritos em seus pormenores para construir uma verossimilhança que muitas vezes transcende à realidade.

A matéria de capa do jornalista Thiago Bronzatto para a revista Veja do último dia 4 de maio parece querer beber dessa tradição. Tal qual o monólogo interior de um detetive de filme noir, o jornalista


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