A máquina do tempo

No centro da sala pré-televisão, um solene rádio Franklin (marca da Philips argentina), valvulado, caixa mista de madeira e baquelita trazia o mundo para dentro de casa por meio de duas emissoras AM de cidades vizinhas. Havia sempre um disc jockey ocupando manhã ou tarde inteiras com seus programas. Depois da escola, eu “entrava no ar” a partir das 11h e seguia até A Hora do Angelus, quando a Ave-Maria de Gounod anunciava suavemente que era hora do banho, porque em pouco tempo meus pais chegariam do trabalho e o jantar seria servido sem atrasos.

Logo na abertura do programa, a voz impostada do locutor lançava a isca fatal: “Daqui a pouco, The Beatles!”. E o sujeito ficava embromando a tarde inteira para, quase noite, enfim liberar a magia – são lembranças de 1966, quando já estávamos completamente contaminados pelo som repetido naquela espécie de cadeia municipal de rádios tocando


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