A banalidade do mal

O título com forte apelo comercial faria sentido se o brasilianista americano R. S. Rose tivesse confirmado em sua revisita ao passado que Filinto Müller, na vida real, fora tão sombrio, brutal e desumano quanto o personagem esculpido por desafetos extraordinariamente inventivos e jornalistas sem compromisso com fatos. A honestidade intelectual do autor resultou numa biografia que exuma não O Homem Mais Perigoso do País (The Most Dangerous Man in The Country, no original em inglês), mas “O Temido Chefe de Polícia da Ditadura Vargas”, como informa já na capa o subtítulo acrescentado pela editora.

Nada disso reduz a relevância da obra; ao contrário. O resgate do Filinto Müller de verdade oferece aos leitores a contemplação de uma espécie que se reproduz com impressionante velocidade nas ditaduras — quaisquer ditaduras — e tem por habitat natural as cercanias dos cativeiros: o homem que executa as ordens que vêm de cima.


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